Pernas pra que te quero!

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O clima do SPFW invadiu o atelier!!! E aproveitei para testar uma técnica nova de modelagem de bonecos.

Lembram que já postei aqui sobre o livro do Carlos Lischetti?

(http://boloebrigadeiro.com/2014/03/25/inspiracoes-carlos-lischetti/)

No livro “Animation in Sugar” ele propõe uma técnica incrível para modelagem de pernas de bonecos que estejam “em pé”: Ao invés de buscar realismo, com os contornos perfeitos, as pernas são estilizadas e aparecem juntas em um bloco de massa, com algumas curvas e contornos que sugerem uma determinada posição ou movimento.
Eu achei interessante porque, sinceramente, acho bem difícil fazer pernas delicadas e ao mesmo tempo resistentes, o que acontece especialmente no caso de bonecas que estejam de saia ou shortinho.
Para que o boneco fique em pé no bolo e possa ser transportado com segurança, quase todo mundo usa um espeto de churrasco ou palito de algodão doce. E esta peça, na minha opinião, às vezes compromete a “leveza” de um par de pernas mais finas. Por conta disto, minha curiosidade em tentar a técnica que ele propôs!
Ainda não dá para dizer que vou aderir e fazer isto todas as vezes, mas achei o resultado interessantíssimo. =D
Eu fiz a boneca que ele chama de “fashionista” no livro e mudei alguns detalhes. E, na hora de modelar as pernas, achei que ficaria mais interessante torcer a placa de pasta para o lado oposto ao que ele sugere.
10749466_10205279904540999_405648897_nPara quem gosta de modelagem, vale a pena comprar o livro que é cheio de idéias ótimas! Aqui, vou dividir com vocês as etapas da minha peça, já com as adaptações que fiz:

1) Antes de tudo, um detalhe interessante: A boneca é grande. Para vocês terem uma idéia, usa aproximadamente 200 g de pasta de modelar e para a peça da base (que serão as pernas estilizadas) recomendo usar 100 g. Eu fiz uma mistura de pasta americana e massa de flores (30% de massa de flores para 70 % de pasta americana) e também coloquei uma pitadinha de cmc.

Outro ponto importante é que ele recomenda que você use o molde fornecido pelo livro. Na verdade, eu achei que poderia ser também um desenho a mão livre, mas que tenha uma boa proporção entre pernas, tronco e cabeça, apenas para servir de guia.

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2) Para começar é preciso modelar um rolo de pasta, mais grosso em uma das extremidades e bem longo. Feito isto, este rolinho deve ser achatado (usei uma das minhas pás de alisar o bolo) em ângulo, deixando o topo mais espesso que a base. E a ponta da base deve ser alargada (mais ou menos o que fazemos ao tentar modelar a cauda de uma sereia, sabe?!).

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3) Depois, com a lateral da mão, faça uma marcação no meio, ao longo deste rolo achatado. Esta marcação vai dar a ideia das duas pernas.

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4) Segurando sua peça pela parte de baixo (onde estariam os pés) gire e ajuste a posição. Passe um palito de madeira (como a boneca seria grande e eu queria bastante sobra de palito para afixar ao bolo, usei um palito de algodão doce que é bem grande!). Então, deixe secar.

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5) Espete em uma base de isopor e continue com a modelagem. Aqui eu acho que cada um pode fazer o tronco e roupas como está acostumado, mas eu também amei a dica dele de deixar um palito segurando uma das bordas da saia, o que dá muito movimento e vida para a boneca ao final. Outra coisa que eu AMEI nesta boneca foi a proposta para a cabeça, de arrematar com um lenço super estiloso e nada de cabelo.

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Por que cozinhar resolve todos os problemas do mundo? Michael Pollan e Ferran Adrià em livros.

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Ando apaixonada por dois livros lindos!

O primeiro é o livro novo do Michael Pollan: “Cozinhar – Uma história natural da transformação”. Este jornalista é uma das pessoas mais importantes na gastronomia mundial, na minha opinião. Ele escreveu vários livros, sendo “O Dilema do Onívoro” um dos mais incríveis.

No “Cozinhar”, ele simplesmente diz que todos os problemas do mundo poderiam ser resolvidas se as pessoas voltassem a cozinhar em casa. Nada contra restaurantes, mas ele ataca a comida industrializada, ultraprocessada e com “ingredientes” mais do que dispensáveis.

Cozinhar nos define em vários sentidos, começando com a vertente da antropologia que coloca esta atividade como a que promoveu nossa evolução e diferenciação, passando pelas questões de cultura e convivência social também.

No mundo moderno, por outro lado, cozinhar nos ajuda a entender e sentir a complexidade do mundo, o poder da natureza, e dá mais sentido ao esforço humano presente na cadeia de produção de alimentos. Tudo isso pode passar despercebido se preparar a sua refeição se resume a abrir uma caixinha.

Enfim, uma paixão! <3!!

O meu eu ganhei de presente da Chef Karina Ferrari, mas vc acha super fácil em todas as livrarias… Editado pela Intrínseca.

 

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O segundo livro é o “A refeição em família”: O Ferran Adrià, que todo mundo conhece como o melhor cozinheiro do mundo, e que ajudou a revolucionar a gastronomia contemporânea com suas espumas malucas, também é ótimo no “trivial variado”: Já faz um tempo que lançou um livro sobre comida caseira, e eu estava namorando.

A obra se chama “A refeição em família”, editada pela Phaidon e no Brasil, pela Ediouro.

Eu já gostei do livro por fora, a capa é linda. E, de cara, ele explica que a “refeição em família” do título é o jantar que todos os dias, todos os funcionários do El Bulli faziam juntos, antes de começar o serviço do restaurante que foi eleito o melhor do mundo várias vezes, antes de fechar.10409581_10204981176632988_392048349194083959_n

São pequenos menus: entrada, prato e sobremesa. Tudo simples, com ingredientes bem comuns, e o mais importante: Preparo acessível! Nada de deixar marinando 18 horas, ou cozinhar em baixa temperatura, usar um thermomix… etc.. etc… Ou seja, perfeito para todo mundo fazer em casa.

A idéia dos cardápios é boa também porque quem cozinha diariamente sabe que um dos problemas que aparece é saber o que fazer, sem cair na monotonia. Vale lembrar que as refeições tem um estilo bem europeu, ( massa como primeiro prato, por exemplo) e logicamente, alguns clássicos espanhóis.

 

Livros mais amados! <3

10528081_10204337409059201_1782014196_nRecebi uma mensagem pedindo uma lista de livros preferidos e adorei a ideia. Foi difícil escolher os mais amados!

Há vários livros interessantes e importantíssimos para todos os profissionais, com técnicas e dicas ótimas, e poderia fazer uma lista enorme por tema. Mas aqui, coloquei aqueles que me inspiram sempre. São todos importados, a maioria em inglês, mas todos muito completos e didáticos, com fotos de passo-a-passo e detalhes. (Quem quiser comprar, recomendo procurar na amazon.com!)

O mais querido de todos é o “Cakewalk” da Margaret Braun. Meu exemplar está tão velhinho e usado que já perdeu a capa… Aproveitando, acabou de entrar no ar o site novo dela, e vale a pena conhecer. Ficou lindooooo: www.margaretbraun.com!

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O livro tem de tudo um pouco: O processo criativo, técnicas bem explicadas, receitas que funcionam (os bolos são deliciosos!!!) e um jeito lindo de combinar cores que sempre encanta.

Pessoalmente, amo modelagem e duas autoras são super importantes na minha opinião: Debbie Brown e Maisie Parrish. No caso da Debbie, o “Enchanted Cakes for Children” é o meu preferido. Modelagens de efeito lindo e fáceis. O site dela tem várias coisas lindas: http://www.debbiebrownscakes.co.uk

A Maisie Parrish também tem vários livros, todos incríveis. Ela faz bonecos cheios de expressão, muito fofos! http://www.maisieparrish.com. O “Cakes with Character” é o eleito!

Falando em modelagem, têm mais dois livros que ando namorando muito:

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“Magic Marzipan” do suíço Franz Ziegler (http://www.franzziegler.ch) traz uma modelagem super diferente, feita toda em marzipã. Olha este dinossauro que aparece na capa! ❤ ❤ ❤

10543762_10204337417179404_1557586679_nE o “Animation in Sugar” do Carlos Lischetti, http://carloslischetti.blogspot.com.br, sobre o qual já falei aqui no blog.

Na foto lá de cima eles nem aparecem direito, mas eu amo os dois livros da Elisa Strauss, de Nova York (http://www.confetticakes.com). Ela já lançou o “Confetti Cakes” e o “Confetti Cakes for Kids”. Estes dois livros são muito lindos, com todos os tipos de dicas e técnicas e também tem receitas maravilhosas. Já testei várias e sempre deram certo! É perfeito para quem quer fazer bolos esculpidos, pois as instruções dela são completíssimas. Além dos bolos, há biscoitos e cupcakes que são um sucesso! 😉

Moelleux Fondant de Pera e Chocolate

Depois de namorar bastante meu livro do Alain Ducasse, que mostrei aqui no blog faz um tempinho, chegou a hora de colocar a mão na massa. A receita eleita foi a deste Moelleux Fondant – uma receita tradicional francesa, que por aqui a gente se acostumou a chamar de petit gateau! Neste caso, com o detalhe delicioso de ter uma mini pera, bem macia e cozida em calda de baunilha. O resultado ficou mais para um suflê de chocolate, já que a massa é muito leve. Uma espuma de chocolate!

1082094_10204284581498545_1545765206_nMudei algumas coisinhas em relação à receita original, que pedia mel e rapadura. Como eu não tinha rapadura, usei açúcar mascavo na receita toda. Também optei por não desenformar os bolinhos e servir dentro das formas. Outro detalhe: A receita rende 4 porções enormes! Eu acho até que daria para aumentar a quantidade de peras para 6 unidades e dividir a massa em 6 forminhas.

Ingredientes

4 peras portuguesas maduras e pequenas

1 fava de baunilha

7 colheres de sopa cheias de açúcar mascavo

100 g de chocolate meio amargo

50 g de manteiga sem sal

2 ½ copos de água

5 gemas

4 claras

Descasque as peras, mantendo os cabinhos. Faça um pequeno corte nos fundos e com a ponta da faca retire com muito cuidado o miolo das peras (caroço).

10501320_10204284576658424_908297208_nEm uma panela pequena, que comporte as 4 peras em pé, coloque a água, 4 colheres de sopa de açúcar mascavo e a fava de baunilha aberta no sentido do comprimento, com as sementinhas raspadas. Leve ao fogo, e deixe levantar fervura. Caso as peras estejam muito duras, deixe que cozinhem um pouco, mas não exagere, pois elas podem desmanchar. Desligue o fogo e deixe que as peras esfriem na calda.

10517194_10204284577818453_1380346861_nEnquanto isso, derreta a manteiga (usei micro ondas mesmo!) e junte o chocolate picado, mexendo até que fique homogêneo.

10519777_10204284578338466_2006753300_nSeparadamente, bata as gemas com as 3 colheres de açúcar restantes, até que fiquem cremosas e mais claras. Misture delicadamente ao chocolate.

10510265_10204284579658499_1493471342_nPré aqueça o forno à 180 graus. Bata as claras em neve e junte à mistura de gemas e chocolate.

10487115_10204284580738526_1059868750_nUnte com manteiga e polvilhe com farinha de trigo 4 formas de cerâmica fundas (formas de suflê individuais funcionam super bem!) e divida a mistura de chocolate. Coloque uma pera no centro de cada porção e leve ao forno pré aquecido por 10 a 15 minutos, até que fiquem bem crescidos. Retire e sirva imediatamente.

 

Escribà de Barcelona

Hoje vou falar de mais um livro lindooo e apaixonante: Escribà, El Arte de Convertir la Pasteleria en Ilusión.

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(Editora RBA, Espanha. – o meu eu comprei no www.amazon.fr!)

O livro foi lançado ano passado, e conta a história da confeitaria Escribà, de Barcelona. Eu já era fã do trabalho deles e de vez em quando entrava no site para dar uma namorada. Tudo lá é um verdadeiro sonho: http://www.escriba.es

Além de falar das origens da confeitaria, dá dicas e receitas e também mostra muitas das criações inovadoras e absolutamente conceituais pelas quais estes confeiteiros ficaram famosos. Eles inventaram jóias de açúcar, bolos que explodem e esculturas de chocolate, entre outras delícias.

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Anos atrás, a confeitaria Escribá ganhou o talento da Patricia Schmidt (http://www.patriciaschmidt.com.br), uma das pioneiras na decoração de bolos no Brasil. Escribà, amigo do chef Ferran Adrià, teve a honra de assinar a sobremesa servida no último jantar realizado no restaurante El Bulli (www.elbulli.es), na Espanha. Um bulldog inteiro de açúcar para marcar a despedida deste que foi eleito diversas vezes o melhor restaurante do mundo!

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Dica de Leitura: Peyton and Byrne

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O post de hoje me lembra um pouco minha viagem à Londres – que já foi assunto aqui no blog, inclusive.

Quando estava lá, fui algumas vezes na “Peyton and Byrne”, uma confeitaria e casa de chás bem inglesa. Na verdade, eles vendem de tudo. Dá para almoçar também, com opções deliciosas de sanduíches e saladas.

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O nome é uma homenagem aos pais do chef Oliver Peyton, fundador. Acabei comprando o livro de receitas que estava a venda: Peyton and Byrne, “British Baking” e o foco da publicação são receitas tradicionais inglesas (sensacionais!). Mas o que me impressionou muito foi a introdução, escrita pelo próprio chef:

“If you give two people a football and tell them to score a goal from a certain spot, those two people will never kick or score in the same place.Baking is like that; you give two people a recipe and the same ingredients and invariably the finished dish will turn out slightly, if not totally, different. The fact is, it’s about your personal touch and the environment in which you make it. The result, unlike conventional cooking, is that you taste a piece of the person when you bite into a cake os a pastry they made”

Além de valorizar os bolos e biscoitos genuinamente ingleses, ele explica porque duas pessoas com a mesma receita de bolo, torta ou biscoito nunca vão fazer exatamente a mesma coisa. O toque pessoal, ingredientes e ambiente fazem toda a diferença! Assim, ao contrário da cozinha tradicional, quando você come este doce está experimentando um pedacinho de quem fez! ❤ ❤ ❤ Achei lindo!!!

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